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sexta-feira, 15 de maio de 2009

Desabafo (Eu odeio metaleirinhos!)

Lendo uma comunidade qualquer do orkut, um cara estava defendendo um vocalista "X", dizendo que o cara não cantava tão mal. Seus argumentos eram bem interessantes e fui obrigado a concordar (até porque ele falava de uma banda que gosto).

Aí, me chega um metaleirinho, que não deve passar dos 16 anos (nada contra os mais jovens, apenas acho que devem se manifestar com mais cuidado) e me diz que "quem não canta nada é aquele vocal do Rush".

PUTA QUE ME PARIU!

Como assim? Você tava falando mesmo do Geddy Lee? Será que eu continuo sendo tão imbecil a ponto de enxergar o que não existe? Ah, dá um tempo!

Eu mesmo, não sou lá grande fã de heavy metal, os timbres dos vocais de heavy metal não me agradam. Mas falar que os caras cantam mal? Ai são outros quinhentos! Podem não me agradar, mas cantam extremamente bem!

Outro dia um moleque que não devia ter mais de 15 anos, me solta que o Metallica gravou três discos bons apenas: Kill'em All, Ride the Lightning e Master of Puppets. PORRA! Sintam-se a vontade pra falar mal dos outros, mas o que o ...And Justice for All tá fazendo fora da lista? Ele é um álbum pop, então?

Por isso que odeio Metaleirinhos. Tr00s na puberdade, façam-me um favor: vão comer cocô pra ver disco voador!

segunda-feira, 30 de março de 2009

Metallica e Slayer: quase três décadas

Acabo de ler na Novo Metal que o Metallica disponibilizou um vídeo oficial da banda tocando a nova música "My Apocalipse". É a última música do álbum novo, o Death Magnetic. Uma faixa legal, com um peso bem agradável (peso agradável = música pesada, mas não porrada) e vocal mais ou menos rasgado, lembrando um pouco o James Hetfield do Black Album. Veja e tire suas conclusões:

Já o Slayer tem tocado sua música nova em alguns shows, a "Psychopathy Red". O álbum ainda não saiu, mas promete. Vejam também e tirem suas conclusões:

Viram? Agora deixa eu tirar as minhas conclusões: Metallica e Slayer são as principais bandas da Bay Area Californiana. Eles trouxeram o thrash metal, eles criaram e, se quiserem, eles matam. Eu não posso dizer se gosto mais de uma ou de outra. Ambas são, para mim, perfeitas. Mas, vendo estes dois vídeos, pude perceber porque o Slayer nunca teve a fama do Metallica, mesmo sendo melhor tão bom quanto.

Muitos anos se passaram. Para ser mais exato, mais de 25 anos se foram desde que essas bandas mostraram todo o seu ódio em forma de música. Muita coisa mudou de lá pra cá. O Slayer lançou uns álbuns mal-vistos pelo seus fãs mais leais, o Metallica lançou alguns mais. Ai o Slayer lançou um álbum que trazia de volta a pegada mais oitentista e o Metallica foi na mesma. Só que, vendo eles ao vivo no glorioso you tube, percebemos que o Slayer continua sendo aquela banda feia, mal encarada, fedida, sem pai que canta músicas feias, fedidas, mal encaradas e sem pai. O Tom Araya continua cantando feio, voz rasgada, assustando crianças e o resto da banda nem se fala. Já o Metallica evoluiu muito com o tempo. De um bando de "feinhos" tocando música pesada, se tornaram bons rapazes, com caras agradáveis e sabendo o timming das coisas. Ao vivo, o James Hetfield não canta mais tão bravo nem feio. Mas agrada. Sabe agradar. Eu mesmo gosto deles ainda. E gosto muito. A simpatia da banda supera até os episódio do Napster (na verdade, Lars Ulrich é um merda, mas o James consegue aliviar a barra dele).

É por isso que eu digo: tapinha nas costas e resenhas positivas não enchem barriga. Se não agradar o público, não gera renda. Não é a toa que o Death Magnetic vendeu, em três dias, 490.000 cópias, enquanto o Christ Illusion vendeu 62.000 em uma semana. Eu gostei mais do Christ Illusion, mas quem sou eu? nem comprar o álbum eu comprei (nem o Death Magnetic).

A verdade é que essas duas bandas lançaram, nos anos oitenta, os álbuns mais completos que o thrash metal conheceu, mas hoje em dia, muita coisa mudou. Mais pra uns do que pra outros.

sexta-feira, 13 de março de 2009

As mudanças na música e no nosso gosto pessoal (e a comparação entre Metallica e Lynyrd Skynyrd)

Em 1991 meu irmão mais velho, então com 11 anos, ligou uma anteninha interna UHF com bombril nas pontas na televisão de casa e sintonizou o que, naquela época, era a maior revolução que a TV já tinha visto: a MTV. O primeiro vídeo-clipe que assisti foi Enter Sandman do Metallica. No mesmo ano, pedi ao meu pai de dia das crianças um LP do Metallica. Eu tinha 7 anos de idade e ganhei o Ride the Lightning . Claro que eu não tinha idéia do que era aquilo, eu só queria "embalar" o gosto do meu irmão mais velho. Mas aquela atitude de criança tentando se encontrar me fez muito do que sou hoje.

Foram madrugadas ouvindo a 97 FM no radinho gravador, sempre com um k7 pronto pra gravar tudo que fosse pesado e diferente. A MTV e a 97 FM me mostraram os primeiros passos sobre música.

1986 Metallica

O Metallica em 1986

Durante muitos anos, fui fã incondicional de Metallica. Depois veio o Faith no More (com Falling to Pieces), o Sepultura (com Orgasmatron) e muitas outras. Uma coisa que elas coincidiam entre si era o fato de serem sempre derivadas do metal. Seja ele heavy, thrash ou qualquer outro rótulo. Eu gostava era de música pesada! Até mais ou menos os meus 23 anos, eu não admitia nada que não fosse ensurdecedor.

Mas, então, percebi que o tempo pode ser cruel. Em 1995, com 11 anos, quando ouvi pela primeira vez o álbum Load, do Metallica, me senti como todos os fãs se sentiram: traído. Cadê o peso? O que era aquilo? "Já não bastavam as baladas Nothing Else Matters e The Unforgiven no álbum anterior e ainda tinhamos de ouvir mais baladas? Pô, Metallica, que porra é essa?", pensava eu. Durante anos eu fiquei puto com esse álbum e com baladas. Em 1999 comecei a ouvir o que era a nova onda da música (o tal do new-metal) e me realizei: "Coal Chamber e Machine Head não fazem baladas!" E era isso ai mesmo, mais pesado que isso não haveria.

Só que o tempo passou. Comecei a apreciar uma boa cerveja e percebi que, as vezes, a gente não tá afim de ouvir new, heavy, death, thrash metal core. E ai, coloquei uma das músicas que eu mais odiava do Metallica: Mama Said. E comecei a enteder a razão da música ser o que é. E entendi que, por trás de bandas de thrash, heavy, new metal core, existem influências. E que essas influências mudam tudo. Percebi que, ao ouvir Mama Said, eu estava ouvindo algo muito próximo de Lynyrd Skynyrd e do southern rock, que são influências de muitas bandas que estão ai hoje. E o melhor de tudo, percebi que, de vez em quando, ouvir algo menos pesado e barulhento, pode ser muito legal também. Comecei então a ouvir mais Rock and Roll, ampliei meu horizonte e percebi que podemos conviver, sim, com mudanças no estilo de uma banda. Hoje, ouvindo os dois álbuns do Metallica, Load e Reload, posso afirmar que são bons discos. Claro, não se comparam aos anteriores, mas, se prestarmos atenção, têm ótimos riffs e ótimas baladas (não vou entrar aqui no mérito dos álbuns posteriores, porque se eu começar a falar do St Anger eu vou estragar tudo). Juntando os dois, pegando o que há de melhor, temos um bom álbum.

O que quero dizer é que as bandas também envelhecem. Salvo excessões (a nata do thrash), algumas bandas mudam porque seus integrantes mudam. Cabe ao fã gostar (e entender) ou não. Eu mudei. Hoje posso ouvir tranquilamente o Ride the Lightning e o Load, sem me sentir traído. Posso ouvir um rock and roll fino no melhor estilo Motorhead, um rock and roll também fino no melhor estilo Lynyrd Skynyrd e um thrash alemão do Sodom, sem achar que essas bandas não têm nada a ver entre elas. A verdade é que essa segregação de estilos só existe aqui no Brasil, mas isso fica pra outra hora.

Conclusão, o rock and roll e suas vertentes continuam ai sendo muito bem feitos. Ah, a MTV que citei no começo está muito distante da MTV glbt de hoje.